Previna-se contra o câncer de pulmão!

Todos nós conhecemos alguém que teve ou tem câncer de pulmão. Falar sobre o tema é da maior importância, pois a conscientização da população está associada à informação sobre as causas da doença. Só dessa forma teremos uma diminuição nas estatísticas sobre os casos que, infelizmente, ainda são muito significativos.

O médico Antônio Orlando Scalabrini Neto: “com a pandemia, com as pessoas demorando mais a procurar o médico desde o início dos primeiros sintomas, pode-se levar ao diagnóstico em fases mais avançadas da doença”

Todos nós conhecemos alguém que teve ou tem câncer de pulmão. Falar sobre o tema é da maior importância, pois a conscientização da população está associada à informação sobre as causas da doença. Só dessa forma teremos uma diminuição nas estatísticas sobre os casos que, infelizmente, ainda são muito significativos.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer/INCA, o câncer de pulmão é o segundo mais comum em homens e mulheres no Brasil (sem contar o câncer de pele - melanoma), e é o primeiro em todo mundo, desde 1985, tanto em incidência quanto em mortalidade. Cerca de 13% de todos os novos casos de câncer são de pulmão. No Brasil, a doença foi responsável por 26.498 mortes em 2015. No fim do século XX, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis.

Para falar sobre o tema, o Portal Medicina e Saúde ouviu o médico Antônio Orlando Scalabrini Neto, oncologista do Hospital das Clínicas da UFMG e do Núcleo de Hematologia e Oncologia/Grupo Oncoclínicas, de Belo Horizontem. Scalabrini é também Mestre em Medicina e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia e Sociedade Norte Americana de Oncologia Clínica.

Dr. Antônio Orlando, o que é câncer de pulmão?

É uma neoplasia maligna originada no pulmão e em suas vias aéreas.

Com as pessoas deixando de ir aos consultórios médicos em virtude da pandemia, o senhor observou um aumento de casos de câncer de pulmão?

Na verdade, o que temos observado é uma demora maior das pessoas procurarem o médico, desde o início dos primeiros sintomas. Isto tem levado o especialista a fazer um diagnóstico em fases mais avançada da doença e de outras patologias, não apenas do câncer de pulmão.

Quais as principais causas do câncer de pulmão?

O tabagismo é apontado como o principal causador de câncer de pulmão. Cerca de 85% dos casos estão associados ao hábito de fumar. No entanto, há outras causas, descritas a seguir:

Doenças pulmonares - Pessoas que já tiveram doenças como a tuberculose, por exemplo, têm maiores chances de desenvolver a doença;

História familiar de câncer de pulmão - O risco é maior para quem tem um parente próximo com câncer de pulmão, como pais ou irmãos;

Idade - O câncer de pulmão surge com mais frequência a partir dos 45 anos de idade. As maiores taxas da doença estão entre as pessoas idosas;

Poluição - Diversas pesquisas apontam que há uma relação direta entre exposição ao ar poluído e incidência de câncer de pulmão. O risco depende dos níveis de poluição do ar a que a pessoa está regularmente exposta;

Exposição ao gás radônio - Esse gás radioativo é produzido pela quebra natural de urânio no solo, na rocha e na água. Eventualmente, se torna parte do ar que você respira. Níveis inseguros de radônio podem se acumular em qualquer prédio, inclusive residenciais;

Exposição ao amianto - A inalação da fibra de amianto no local de trabalho, por exemplo, ou em atividades de mineração, também pode aumentar o risco de câncer de pulmão.

Quem está mais sujeito a ter câncer de pulmão: mulheres ou homens? Por que?

Embora a diferença esteja diminuindo, os homens ainda representam a maior parte. Enquanto a porcentagem nos homens se mantém mais ou menos estável, nas mulheres o hábito de fumar tem sido mais frequentemente incorporado à vida. Daí o motivo da diferença, que era grande no passado, agora reduzindo.

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico seguro é feito com uma biópsia do tumor diagnosticado em um exame de imagem, geralmente uma tomografia de tórax.

Quais os avanços no tratamento?

Felizmente, no início da década, com a modernização da cirurgia, impulsionada pela robótica e outras técnicas, o avanço da Radioterapia e o surgimento de drogas alvo-dirigidas, além da imunoterapia, o prognóstico do paciente com câncer de pulmão melhorou bastante. Mesmo nos casos mais avançados ainda se consegue uma sobrevida significativa, com uma boa qualidade.

 

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