Outubro Rosa ganha ainda mais relevância na pandemia

Por: Luciano Viana, coordenador médico da Unidade de Oncologia do Hospital Márcio Cunha.

Desde 2002, outubro é o mês dedicado à prevenção e combate ao câncer de mama aqui no Brasil. O chamado “Outubro Rosa”, campanha de conscientização sobre o tumor de mama lançada originalmente em 1997 nos Estados Unidos e que se espalhou pelo planeta, ganha dimensões ainda mais importantes neste momento tão complexo enfrentado pelo setor de saúde mundial. A pandemia do novo coronavírus não só tem provocado a perda de milhares de vidas, mas também tem comprometido a realização de exames e diagnósticos que podem salvar muitas pessoas de uma fatalidade decorrente de inúmeras doenças, entre elas o câncer.

O médico Luciano Viana: “A postergação de um exame, no caso de câncer de mama, pode ser o fator decisivo entre a cura e o óbito” Crédito: crédito: Divulgação FSFX

Desde 2002, outubro é o mês dedicado à prevenção e combate ao câncer de mama aqui no Brasil. O chamado “Outubro Rosa”, campanha de conscientização sobre o tumor de mama lançada originalmente em 1997 nos Estados Unidos e que se espalhou pelo planeta, ganha dimensões ainda mais importantes neste momento tão complexo enfrentado pelo setor de saúde mundial. A pandemia do novo coronavírus não só tem provocado a perda de milhares de vidas, mas também tem comprometido a realização de exames e diagnósticos que podem salvar muitas pessoas de uma fatalidade decorrente de inúmeras doenças, entre elas o câncer.

Os dados são alarmantes. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a expectativa é de que sejam registrados 650 mil novos casos de câncer no Brasil em 2020. Entre as mulheres, excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o tipo mais comum em todas as regiões do Brasil. Estima-se, neste ano, mais de 66 mil novos casos de câncer de mama, o que representa uma taxa de incidência de 43,74% casos por 100 mil mulheres.

O cenário pandêmico é de grande preocupação e reforça ainda mais a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. A Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) divulgou que, somente nos dois primeiros meses da pandemia, cerca de 50 mil pessoas deixaram de ser diagnosticadas com câncer no Brasil e outras milhares tiveram consultas ou tratamentos adiados ou cancelados.

A Sociedade Brasileira de Mastologia fez um alerta para a diminuição de atendimentos em hospitais públicos do país das pacientes em tratamento para o câncer de mama. Além disso, a mamografia de rastreamento ficou suspensa em muitas regiões do Brasil durante meses, significando atraso em diagnósticos e assim, se espera um aumento do número de tumores em estágio avançado.

A postergação de um exame, no caso de câncer de mama, pode ser o fator decisivo entre a cura e o óbito. Sabemos que, apesar de muito comum e frequente no país e no mundo, o câncer de mama, quando diagnosticado em estágio inicial, pode ter chance de cura superior a 90%. No entanto, a detecção e o tratamento tardios fazem com que as chances de cura se restringem a menos de 30%. No Brasil cerca de 1/3 das mulheres descobrem que estão com a doença em estágio avançado.

O medo pelo contágio do coronavírus impediram as pessoas de realizarem exames de rotina. Eles são essenciais e indispensáveis para a descoberta de uma doença bem no início. Especialistas do mundo inteiro têm demonstrado preocupação com a explosão de diagnósticos tardios e de mortes por câncer. É preciso que o paciente converse com o médico para avaliarem em conjunto o risco-benefício de uma consulta e ou exame.

A prevenção, informação e o acesso ao tratamento continuam sendo os principais aliados para se combater o câncer de mama. Além dos fatores genéticos, a maioria dos tumores é devido a fatores ambientais. Evitar o sedentarismo, manter uma alimentação rica em frutas e verduras, combater o sobrepeso, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, não fumar também podem salvar vidas.

O mais importante na batalha contra o câncer de mama é estar sempre em alerta, promovendo o autocuidado. Com grandes chances de cura, ele não deve ser temido e sim encarado com informação, conscientização e vigilância.

 

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