Lentes de contato: cuide bem dos seus olhos

Desde que surgiram, lentes de contato têm gerado dúvidas e questionamentos quanto ao seu uso e riscos de infecções e piora ou melhora do grau. No entanto, desde a sua invenção, elas passaram por transformações e, atualmente, oferecem enorme segurança para os seus usuários.

A oftalmologista Elisabeth Brandão Guimarães, membro da Comissão Científica do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Chefe do Setor de Lentes de Contato da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Desde que surgiram, lentes de contato têm gerado dúvidas e questionamentos quanto ao seu uso e riscos de infecções e piora ou melhora do grau. No entanto, desde a sua invenção, elas passaram por transformações e, atualmente, oferecem enorme segurança para os seus usuários.

Os primeiros experimentos foram feitos por Leonardo da Vinci e Descartes, até chegar em 1887, quando Adolf Fick, físico e médico alemão, desenvolveu as lentes de vidro marrom, posteriormente redesenhadas em novo material, desta vez, em acrílico (PMMA), em 1936. Mas, eram lentes desconfortáveis.

Novos estudos trouxeram um grande avanço em 1963 com o Tcheco Otto Von Witchterle, que desenvolveu as primeiras lentes de material gelatinoso, o que proporcionou mais conforto, facilitando o uso das lentes de contato. Na atualidade, dispomos de lentes gelatinosas e rígidas, com tecnologias que proporcionam materiais de alta oxigenação, proteção UV e maior conforto.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria – SOBLEC, atualmente, existem 2 milhões de usuários de Lentes de Contato no Brasil.

Para saber mais sobre esse pequeno grande invento, o Portal Medicina e Saúde conversou com a Dra. Elisabeth Brandão Guimarães, membro da Comissão Científica do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Chefe do Setor de Lentes de Contato da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Inicialmente, o que vem a ser uma lente de contato?

Ela é um dispositivo óptico que tem como finalidade a correção óptica de ametropias, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, condições especiais como presbiopia e anisometropia, nistagmo e albinismo, além da reabilitação visual no tratamento de doenças como ceratocone e ectasias.

Seu uso pode também ser terapêutico, adjuvante em algumas doenças, como efeito curativo em pós operatório e cosmético, este último com finalidade de mudança do aspecto estético do olho. Elas podem ser confecionadas em material rígido e gelatinoso. Sua adaptação é dinâmica e deve ser monitorada por um médico oftalmologista, profissional preparado para realizar estes exames.

Como é a sua indicação?

Ela deve ser feita a partir de um exame oftalmológico clínico detalhado, que vai desde a refratometria (determinação do grau necessário), à biomicroscopia do olho e suas estruturas, fundo de olho, topografia de córnea e outros que sejam necessários, a fim de assegurar a saúde ocular, condição necessária para uma boa e segura adaptação das lentes.

Há contraindicações?

Sim, por exemplo, pacientes com incapacidade de manter e limpar as Lentes de Contato adequadamente e com hábitos que possam causar riscos de complicações infeciosas não são candidatos ao seu uso. Da mesma forma, aqueles que apresentam doenças que comprometam a imunidade, ou doenças oculares coexistentes.

Quem usa mais lentes de contato, homens ou mulheres?

As mulheres, elas procuram mais as lentes de contato como alternativa aos óculos, por um motivo estético, mas a procura pelos homens têm aumentado. Atribuo isto a maior preocupação e melhoria da qualidade vida. Lentes de Contato facilitam a prática de esportes e vida social.

Quais as cores preferidas ?

A preferência por cores varia de acordo com a etnia local. Em países latinos, onde olhos de íris escuras são mais comuns, lentes de íris azul e verde são mais procuradas. Há que se lembrar sempre que as lentes coloridas devem ser utilizadas adequadamente e monitoradas pelo oftalmologista, que fará a orientação devida quanto a manutenção destas lentes. A falta de informação apropriada gera maus hábitos e uma manutenção inadequada pode trazer complicações que podem se transformar em desastrosos quadros com comprometimento da visão.

Quais casos em que as lentes de contato são desaconselhadas?

As lentes de contato estão em contato íntimo e direto com a córnea e outras estruturas do olho. O uso estético cosmético, se indicado e monitorado pelo médico, torna-se seguro. Porém, o uso fútil, aleatório e sem preocupação com a saúde ocular pode gerar complicações que comprometem o uso e geram problemas.

Desde a sua criação, as lentes de contato passaram por grandes transformações. Quais são os principais?

São inúmeros, entre eles os novos materiais de alta oxigenação e tecnologias de superfície, que permitem o uso mais seguro e confortável das lentes de contato. Também os desenhos especiais customizáveis de lentes rígidas corneais e esclerais, que beneficiaram a reabilitação visual do portador de ceratocone e córneas irregulares.

Outro importante avanço foram as lentes especiais de ortoceratologia que remodelam a córnea e são indicadas para o tratamento da miopia. Atualmente, vivemos uma epidemia mundial de Miopia e estudos apontam a necessidade de controle deste quadro nas crianças, e lentes de contato são uma opção terapêutica.

O Controle da Miopia para crianças com lentes para Ortoceratologia e lentes gelatinosas multifocais especiais já é uma realidade nos EUA, Europa e Ásia. Brevemente, teremos as lentes gelatinosas multifocais disponíveis no nosso mercado.

Quais os cuidados que o usuário deve ter com suas lentes de contato?

Primeiramente, devem cuidar delas de forma responsável. Lentes de contato são de uso pessoal e intransferível. Elas estão em contato íntimo com seu olho. Siga o que seu médico orienta quanto ao tempo de uso, regime de descarte, sistema de Limpeza, assepsia e manutenção das lentes.

Também nunca utilize soluções inapropriadas ao material das lentes. Lembre-se que o soro fisiológico não tem poder antimicrobiano. Ele é uma solução que contamina-se facilmente. Portanto, inapropriado para limpeza das lentes.

Estojos podem ser vetores de contaminação e devem ser trocados periodicamente. Seja responsável com a saúde seus olhos e faça as revisões solicitadas pelo seu oftalmologista.

Desta forma, você usufruirá dos benefícios das lentes de contato de forma segura.

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