Jogos da Copa e o risco de eventos cardiovascularesDurante a Copa do Mundo, costuma-se dizer que muitos jogos são “teste para cardíaco”. Será que existe mesmo uma relação entre a emoção do torcedor e a incidência de eventos cardiovasculares como infarto, acidente vascular cerebral e morte?

Mesmo com a saída do Brasil da Copa/2018, o alerta é importantes para os grandes jogos em Minas Gerais e no Brasil.

Durante a Copa do Mundo, costuma-se dizer que muitos jogos são “teste para cardíaco”. Será que existe mesmo uma relação entre a emoção do torcedor e a incidência de eventos cardiovasculares como infarto, acidente vascular cerebral e morte?

 A Copa do Mundo desperta nos torcedores grandes emoções, ansiedade e tensão. O organismo responde a estes estímulos como uma forma de estresse. A ciência moderna já reconhece ser este um fator importante desencadeador de eventos cardiovasculares. Estudos científicos populacionais correlacionaram maior incidência de doenças cardiovasculares ao estresse relacionados a bombardeios, guerras e terremotos. Entretanto, mesmo com a saída do Brasil da Copa/2018, o alerta é importantes para os grandes jogos em Minas Gerais e no Brasil. As emoções ficam à flor da pele durante um jogo Cruzeiro/Atlético, Corinthians/Palmeiras, Flamengo/Fluminense, entre outros.

A relação dos jogos esportivos, especialmente o futebol, com eventos cardiovasculares também tem sido estudada. Segundo o coordenador do Serviço de Cardiológico da Rede Mater Dei de Saúde, Henrique Patrus, foi demonstrado um aumento do risco de infarto do coração e acidente vascular cerebral dentre os alemães durante o campeonato europeu de futebol de 1996. Na Copa do Mundo de 2006, também na Alemanha, foi registrado aumento de até 2,66 vezes no número de emergências cardiovasculares. Entretanto, há outros estudos que não foram capazes de comprovar esta relação entre o estresse do torcedor e a incidência de complicações cardíacas ou vasculares. “O Brasil, país historicamente e tradicionalmente apaixonado por futebol, carece de um estudo definitivo sobre esta associação”, afirma Henrique Patrus.

 De acordo com o especialista, os principais mecanismos envolvidos no aumento do risco cardiovascular do torcedor seriam a estimulação do sistema nervoso simpático e o aumento dos níveis de adrenalina no sangue, desencadeado pelas fortes emoções geradas pelo envolvimento com os jogos. “Esta reação do organismo, até certo ponto fisiológica, pode levar a um aumento exagerado da pressão arterial, da frequência cardíaca e das contrações cardíaca”, explica o cardiologista. Além disso, o aumento destes fatores pode desencadear arritmias cardíacas e maior facilidade para a formação de coágulos no sangue que promoveriam a obstrução das artérias do coração e do cérebro.

 Segundo o médico, os torcedores devem estar preparados para fortes emoções durante os jogos. “É importante dar atenção aos cuidados com a saúde e estar em dia com as revisões médicas periódicas. Durante a torcida, não devemos exagerar em consumo de bebidas alcoólicas e estimulantes, sem esquecer do tabagismo, principal fator de risco cardiovascular modificável. Todos devem respeitar o equilíbrio e os limites do próprio corpo, manter uma hidratação adequada, preservar o sono e o descanso”, recomenda Henrique Patrus. 

 

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