Gravidez precoce e abstinência sexual

Foi lançado, recentemente, em Brasília, o programa da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, de estimular a abstinência sexual como política de prevenção da gravidez precoce, com a campanha “Tudo tem seu tempo”. A iniciativa tem parceria com o Ministério da Saúde, comandado por Luiz Henrique Mandetta.  O assunto é muito polêmico, diante da realidade da maioria das adolescentes no Brasil.

Luiz Francisco Corrêa - Jornalista / Diretor da Via Comunicação / membro do Conselho Curador da Fundação de Pesquisa e Ensino da Cirurgia – FUPEC / Diretor e Editor do Portal Medicina e Saúde

Foi lançado, recentemente, em Brasília, o programa da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, de estimular a abstinência sexual como política de prevenção da gravidez precoce, com a campanha “Tudo tem seu tempo”. A iniciativa tem parceria com o Ministério da Saúde, comandado por Luiz Henrique Mandetta. O assunto é muito polêmico, diante da realidade da maioria das adolescentes no Brasil.

As músicas tocadas nos pancadões de periferias das grandes cidades brasileiras exaltam o sexo de forma muito clara. Poderíamos dizer, sexo, drogas e violência. E são milhares de pessoas nesses locais, onde a maioria dos jovens não tem outras formas de diversão. Aqui, falar em abstinência sexual, é impossível.

No carnaval, onde jovens mulheres e homens expõem os seus corpos, é muito importante distribuírem camisinhas, pois, também, nesse tipo de festa, com muita cerveja e sensualidade, a abstinência não pode ser o lema da festividade.

As meninas de classes mais abastadas são originárias, de maneira geral, de famílias mais estruturadas, onde os pais conversam mais abertamente com os filhos e os jovens têm mais acesso a informações sobre questões da sexualidade, gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. Mas, vejamos, uma minoria do país.

Temos que nos lembrar que nas classes A e B, o número de filhos é bem menor do que nas classes C D e E. Inversamente, nos locais onde deveria haver um natural controle da natalidade, pelas condições muito difíceis de vida, ela não ocorre.

Portanto, são mundos diferentes, campanhas diferentes. A sexualidade na adolescência é muito intensa em todos os universos, mas a decisão de usar a camisinha costuma ser diferente (ou mesmo ter a camisinha na hora em que ela é necessária).

Temos que nos lembrar também dos estupros, da violência, da exploração sexual a que muitas meninas são submetidas ainda muito jovens. Evidentemente, das camadas pobres da população, que são a grande maioria no país.

Portanto, educação sexual nas escolas e comunidades, distribuição de camisinha, campanhas para públicos específicos, são alguns caminhos para redução da gravidez na adolescência e para as doenças sexualmente transmissíveis. Temos que encarar a situação com otimismo, embora sejam desafios muito difíceis.

Emprego, moradia, saúde, mobilidade social, educação formal, enfim, qualidade de vida são fatores também essenciais para uma melhor conscientização da mulher sobre o seu corpo e se prevenir de uma gravidez indesejada.

 

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