Endometriose: Esta doença não espera a pandemia passar

Dr. Walter Pace: Professor Doutor e Coordenador Geral da Pós-Graduação de Ginecologia Minimamente Invasiva da Faculdade de Ciências Médicas de MG. Titular da Academia

A endometriose é uma doença que afeta muito a vida das mulheres, razão pela qual são realizadas várias campanhas de conscientização sobre o tema no Brasil e em várias partes do mundo. Dados oficiais estimam que entre sete milhões e 10 milhões de mulheres sofrem de endometriose no Brasil, sendo a maior causa de infertilidade no sexo feminino.

O ginecologista Walter Pace: “temos que alertar que o tratamento não pode ser interrompido”

A endometriose é uma doença que afeta muito a vida das mulheres, razão pela qual são realizadas várias campanhas de conscientização sobre o tema no Brasil e em várias partes do mundo. Dados oficiais estimam que entre sete milhões e 10 milhões de mulheres sofrem de endometriose no Brasil, sendo a maior causa de infertilidade no sexo feminino. Essa questão, inclusive, tem sido alvo de discussão há anos, principalmente porque sabemos que todos os tipos e graus da doença podem influenciar a fertilidade. Porém, o que observamos, é que, frequentemente, o diagnóstico não é tão evidente e fica como última opção na pesquisa, entre outras causas, a dor e infertilidade. Por isso, temos que alertar que o tratamento não pode ser interrompido. Mesmo em tempo de pandemia é importante que mulheres com endometriose não deixem de ir regularmente ao médico para que não tenham complicações mais graves.

Além das questões acima, mulheres com endometriose podem sentir muita dor durante ou após as relações sexuais, podem ter cólicas menstruais intensas, sangramento menstrual intenso e alterações intestinais, entre outros sintomas. E lidar com todo esse sofrimento ao mesmo tempo que têm que trabalhar, cuidar da família e das tarefas domésticas não é fácil.

Embora não saibamos, claramente, a sua causa, uma das probabilidades é a passagem do sangue da menstruação pela trompa. Sabemos que se trata de uma doença estrógeno-dependente, que consiste na invasão pelas células do endométrio (tecido que reveste a parede interna do útero e descama durante a menstruação) no músculo do útero ou para fora dele, atingindo órgãos como, o ovário, o intestino e a bexiga, entre outros.

Os primeiros sintomas são cólicas progressivas, muitas vezes intensas e até mesmo incapacitantes, ou seja, cada vez piores a cada menstruação. A dor ocorre, em geral, na parte inferior do abdome e pode causar desconforto nas relações sexuais. Se a endometriose estiver localizada na bexiga ou no intestino, pode causar sintomas urinários ou intestinais durante a menstruação como, por exemplo, dor ao urinar ou diarreia. Dores mais intensas podem levar a problemas como cansaço, perda do sono, alterações de humor, depressão, tensão pré-menstrual e dor lombar. Com essa sintomatologia, fica claro o sofrimento das pacientes.

O diagnóstico pode ser feito por meio de exame clínico, ultrassom, laparoscopia, ressonância magnética e histeroscopia. O tratamento clínico, normalmente, é hormonal, que dispõe de novas alternativas, seguras e mais eficazes, em virtude dos avanços na área. Entre esses avanços podemos citar a cirurgia em três dimensões e a cirurgia robótica, cujas tecnologias permitem melhor visualização das estruturas anatômicas críticas e maior precisão e segurança que os procedimentos convencionais.

Nesse momento de pandemia da coronavírus, com muitas pacientes evitando as consultas médicas, é importante aproveitar a oportunidade para, repetidamente, salientar a importância da prevenção da doença, pois é fundamental para o êxito do tratamento. Ela se faz com a atenção aos sintomas, possibilitando, dessa forma, o seu diagnóstico precoce. A doença, em geral, é evolutiva e o retardo no diagnóstico pode levar a estados graves de infertilidade e quadros de dores extremamente acentuadas.

 

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