Especialistas em RH/Gestão de Pessoas falam como a pandemia afeta o emocional de gestores empresariais e colaboradores

Nesse tempo de pandemia do coronavírus, diretores e gerentes de empresas tentam se adaptar à nova realidade que, ao que parece, vai perdurar por algum tempo. É impressionante a capacidade das pessoas de adaptarem-se ao novo momento, mesmo com a natural incerteza sobre o caminho a ser seguido. O certo é que tudo vai passar e a direção das empresas precisa se adequar ao tempo presente, tendo como visão o futuro próximo.

Os psicólogos Mara Barbosa e Paulo Massa, especialistas em RH/Gestão de Pessoas: “lideranças empresariais devem se auto avaliar e buscarem conhecimento, principalmente em momentos de crise, para gerir melhor seus colaboradores”

Nesse tempo de pandemia do coronavírus, diretores e gerentes de empresas tentam se adaptar à nova realidade que, ao que parece, vai perdurar por algum tempo. É impressionante a capacidade das pessoas de adaptarem-se ao novo momento, mesmo com a natural incerteza sobre o caminho a ser seguido. O certo é que tudo vai passar e a direção das empresas precisa se adequar ao tempo presente, tendo como visão o futuro próximo.

Sobre esse assunto, o Portal Medicina e Saúde ouviu os psicólogos Mara Barbosa e Paulo Massa, que atuam em consultoria na área empresarial, com foco em Gestão de Pessoas, com uma tradição de 30 anos na área. Nessa entrevista, eles destacam alguns aspectos importantes que gestores, gerentes, CEOs e lideranças empresariais devem observar na gestão de seus negócios, sejam eles de pequeno, médio e grande porte.

Como a diretoria/corpo gerencial das empresas devem agir nesse momento de pandemia?

Primeiramente que “voltem para si mesmos”. É importante fazerem uma autoanálise, se perguntando: como estão lidando com suas inseguranças, medos e incertezas? O autoconhecimento, a autoconsciência, sempre foram imprescindíveis para o exercício do papel de líderes. Neste momento, mais do que nunca, esta postura torna-se essencial para gestão/apoio/compreensão de sua equipe.

E os colaboradores das empresas, como devem agir?

Não se “cobrem” demais, permitam-se sentir inseguranças, medos, receios, porém, buscando ferramentas, apoio e informações. Não criem “fantasmas”, listem todas as suas dúvidas, façam questionamentos, exponham suas inseguranças de forma objetiva, juntamente com a equipe e seus gestores.

Como a pandemia e o confinamento afetam os colaboradores e família?

Consideramos “05” sentimentos básicos que nos acompanham no ambiente das organizações: Medo, Alegria, Raiva, Tristeza, Amor. Num momento “trágico” como este, entendemos predominar medo, raiva e tristeza. Estes sentimentos favorecem o estresse, ansiedade exacerbada, depressão, causando, então, dificuldade de cumprir, rever/criar rotinas, de se comunicar. Desta maneira, as pessoas não conseguem trabalhar e relacionar-se de forma eficaz, seja no ambiente de trabalho ou familiar. Buscar meios para “fazer surgir” os sentimentos de alegria e amor dentro deste contexto, é crucial.

Como isso reflete no trabalho do colaborador e na produção de modo geral?

Complementando a resposta anterior, este contexto desperta muitas vezes nos colaboradores “desconfianças” como: permanência na empresa, importância dele no contexto para a empresa, valorização pessoal e, consequentemente, baixa produtividade. Daí, torna-se imprescindível, trabalhar objetivamente a comunicação interna (transparência).

A seleção de pessoal segue nesse momento. Quais as características dos funcionários selecionados para esse momento?

Em todos os aspectos, os impactos do surto do coronavírus ainda são incalculáveis. No entanto, é certo que isso alterou a dinâmica de trabalho, cobrando novos hábitos dos colaboradores. Consequentemente, no processo seletivo atual, algumas competências, que já eram observadas, tornam-se mais predominantes, ganham mais “força”, como: capacidade de adaptação, proatividade, criatividade, flexibilidade, associadas a postura inovadora, domínio/facilidade para lidar com ferramentas de TI, capacidade de ser multifuncional. A liderança também é uma característica importante, mesmo que o colaborador não vá assumir este “cargo” (líder), é válido que apresente essa competência para “enriquecer’ o time e auxiliar os gestores.

Sobre cuidados higiênicos com a pandemia, o que as empresas podem fazer em prol da segurança de seus colaboradores?

  • - Devem buscar todas as informações possíveis, somente nos órgãos de competência para tal (ex.: Secretaria Municipal de Saúde);
  • - Devem colocar a saúde das pessoas em primeiro lugar. A empatia e humanização são fundamentais neste contexto;
  • - Devem disponibilizar serviços e informações relevantes para seus funcionários (de forma controlada, filtrada, sem excesso de informações);
  • - Terem mais rigor na higienização do ambiente de trabalho;
  • - Devem instituir práticas de higienização preventiva entre os colaboradores;

- Usarem a tecnologia para evitar o contato entre as pessoas (vídeo conferência, home office).

E quando do retorno/contratação ao término do confinamento?

Em meio a tantas incertezas, novas resoluções deverão ser apresentadas todos os dias e as pessoas precisam saber como isso afetará os seus direitos e suas responsabilidades. Reiteramos aqui a importância da empatia e humanização, bem como:

  1. - A capacitação e postura das lideranças para lidar com este momento é imprescindível;
  2. - Seja sincero e coerente com a equipe;
  3. - Reforce a comunicação;
  4. - Administre as emoções (as inseguranças e preocupações irão permanecer conosco “um bom” tempo);
  5. - Não adie as decisões (durante a crise, a agilidade de decisões de forma estruturada se torna mais importante);
  6. - Revise constantemente metas/objetivos;
  7. - Incentive a criatividade/inovação;
  8. - Torne a prática de Feedback uma constante;
  9. - Importante manter “firme” uma estratégia constante de trabalhar a Comunicação Interna;
  10. - Criar e manter uma equipe para mapear eventuais ineficiências operacionais (identificar gargalos), favorecendo tomadas de decisões pertinentes ao contexto (no momento);
  11. - Criatividade em novas formas de atendimento (redes sociais, aplicativos, etc.);
  12. - Modelos tradicionais de gestão estão sendo questionados, “o novo momento” exige respostas rápidas, decisões compartilhadas e descentralizadas, necessário, assim, rever e “estudar” o modelo de gestão, até então centralizada, considerando que o trabalho remoto, que já era previsível, mostra-se agora necessário e eficaz;

- Identificar ambientes/ferramentas, treinando as equipes para a prática do trabalho remoto.

 

Portal Medicina & saúde: (31)3586-0937 | FAÇA CONTATO

medicina & saúde nas redes