As queimadas e suas graves consequências para a saúde da população

Número de crianças com problemas respiratórios dobra, em algumas regiões do país.

As cenas de queimadas em alguns estados do Brasil, amplamente veiculadas na mídia nacional e mundial, provocam uma tristeza imensa na maioria dos brasileiros e, também, sérios problemas de saúde para aqueles que vivem próximos a esses locais e mesmo em regiões mais distantes.

As cenas de queimadas em alguns estados do Brasil, amplamente veiculadas na mídia nacional e mundial, provocam uma tristeza imensa na maioria dos brasileiros e, também, sérios problemas de saúde para aqueles que vivem próximos a esses locais e mesmo em regiões mais distantes.

Os incêndios na Amazonas, Pará e Mato Grosso, envolvendo o rico Pantanal, entre outros locais, são exemplos de regiões com fortes incêndios, provocados em parte por grandes fazendeiros, em ação predatória, em busca de expansão das áreas de pastagem ou para plantações de soja, por exemplo. Evidentemente, para piorar a situação, a época de seca torna a mata suscetível a incêndios.

As graves consequências dessas queimadas para a população precisam ser debatidas. De acordo com a Fiocruz, o número de crianças internadas com problemas respiratórios dobrou. Foram cerca de 2,5 mil internações a mais por mês, em maio e junho de 2019, em aproximadamente 100 municípios da Amazônia Legal, em especial nos estados do Pará, Rondônia, Maranhão e Mato Grosso - o que acarretou custo excedente de R$ 1,5 milhão ao Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo pesquisas, viver em uma cidade próxima aos focos de incêndio aumenta em 36% o risco de se internar por problemas respiratórios.

Dados que integram o Informe técnico do Observatório de Clima e Saúde, projeto coordenado pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz), apontam ainda que em cinco dos nove estados da região Norte houve aumento de morte de crianças hospitalizadas por problemas respiratórios. É o caso de Rondônia. Entre janeiro e julho de 2018, foram cerca de 287 óbitos a cada 100 mil crianças com menos de 10 anos. No mesmo período, em 2019, esse número subiu para 393. Em Roraima, 1.427 crianças a cada 100 mil morreram internadas por problemas respiratórios, no primeiro semestre de 2018. No mesmo período de 2019, foram 2.398.

Outro aspecto importante a ser destacado é que a queima de madeira pode gerar uma grande diversidade de gases e aerossóis, vários destes prejudiciais à saúde, principalmente pelo seu pequeno diâmetro e capacidade de penetrar no aparelho respiratório inferior. “Crianças são mais sensíveis a fatores externos, como a poluição”, explica o pesquisador Christovam Barcellos, do Icict/Fiocruz. “Seu sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e o aparelho respiratório, em formação. São mais suscetíveis a alergias”. Além disso, crianças passam mais tempo ao ar livre do que os adultos e, assim, inalam mais poluentes. Durante exercício físico, a deposição de partículas no pulmão aumenta cinco vezes, afirma Sandra Hacon, pesquisadora da Ensp/Fiocruz.

O Portal Medicina e Saúde ouviu a presidente da Sociedade Mineira de Pediatria, Marisa Lages Ribeiro, que é também pneumologista e alergista. Segundo ela, as fumaças de uma maneira geral provocam diversos tipos de lesões nas pessoas: pelo calor, levando a um processo inflamatório direto nas vias aéreas, e pelos gases tóxicos liberados, irritação da mucosa respiratória, desencadeando outras reações. “Esses gases em pessoas com asma podem, por exemplo, provocar obstrução das vias aéreas por broncoespasmo e inflamação. Além disso, diversas partículas contidas na fumaça podem se depositar nos pulmões, contribuindo para irritação, obstrução, inflamação e até edema de vias respiratórias”.

A sugestão da pediatra é conscientização dos riscos da exposição à fumaça em geral e prevenção de incêndios. “Entretanto, em caso de eventual exposição, é preciso proteger as vias respiratórias com um pano úmido, hidratação oral, procurar se distanciar do local e, em casos de incêndios, tentar se deslocar ficando o mais próximo possível do chão até resgate”.

 

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