Pandemia do Coronavírus no Brasil: a importância de mantermos o isolamento social

Neste espaço, no dia 16 de março último, falamos sobre a pandemia coronavírus que, naquele momento, surgia no Brasil, ainda com os primeiros casos. Na época, Luiz Henrique Mandetta estava à frente do Ministério da Saúde.  Daquela data até hoje, muita coisa mudou, e como mudou. Os números de infectados e mortos crescem cada vez mais no país, causando preocupação, tristeza, medo e insegurança, entre outros sentimentos.

Luiz Francisco Corrêa - Jornalista / Diretor da Via Comunicação / membro do Conselho Curador da Fundação de Pesquisa e Ensino da Cirurgia – FUPEC / Diretor e Editor do Portal Medicina e Saúde

Neste espaço, no dia 16 de março último, falamos sobre a pandemia coronavírus que, naquele momento, surgia no Brasil, ainda com os primeiros casos. Na época, Luiz Henrique Mandetta estava à frente do Ministério da Saúde. Daquela data até hoje, muita coisa mudou, e como mudou. Os números de infectados e mortos crescem cada vez mais no país, causando preocupação, tristeza, medo e insegurança, entre outros sentimentos.

De acordo com dados do Ministério Saúde divulgados na segunda, 11 de maio, são 11.519 mortes, eram 11.123 no domingo (dia 10). Foram 396 registros de mortes acrescentados em 24 horas. São 168.331 casos confirmados, eram 162.699 no domingo (10). Foram 5.632 casos incluídos no balanço de 24 horas. Entretanto, evidentemente, existem muitas subnotificações. Também a quantidade de pessoas morrendo em decorrência de síndrome respiratória aguda é imensa e não fica claro se a causa foi a Covid. Mas as estatísticas representam vidas humanas, histórias interrompidas, muito sofrimento. Estamos nos habituando a citar as estatísticas como se fossem simples números, frios e sem vida. Temos que nos emocionar mais e sermos mais solidários com o próximo. Podemos, por exemplo, ajudar financeiramente diversas entidades filantrópicas que estão apoiando, com cestas básicas, a população de favelas, ou instituições assistenciais de saúde que passam por momentos difíceis.

Estamos vendo cenas trágicas em Manaus, Belém, Fortaleza e Rio de janeiro, diante de um sistema de saúde já colapsado e serviços funerários também com sérios problemas. Caixões e caixões se amontoando, como no caso da capital do Amazonas, com mortos sem a despedida de seus familiares. Cenas muito tristes, agressivas para com a população, que se vê em meio a um caos na saúde. Sem dúvida, a população mais pobre é a mais afetada, por motivos óbvios. Os pacientes mais abastados da região Norte estão viajando para tratamento em São Paulo, em aviões fretados pelas famílias, que querem segurança no atendimento, o que é uma escolha correta. A desigualdade social no Brasil, que é antiga, fica mais gritante.

Seguindo o pensamento científico, defendido por infectologistas e epidemiologistas respeitados no Brasil e em outros países, defendemos o isolamento social como forma de combater o terrível vírus. Não temos dúvida sobre as consequências econômicas nefastas, em um país já com tantos desempregados como o Brasil, o que atinge várias camadas sociais. Além disso, temos o vasto número de pessoas em estado de vulnerabilidade na periferia das grandes cidades e também moradores de rua, que se amontoam há tempos, pelas avenidas e praças das capitais do país.

É óbvio que o isolamento social é possível para as camadas de classe média e alta, que conseguem manter a geladeira cheia, ver filmes na TV, trabalhar em casa e fazer consultas online. O mundo dos mais pobres é outro, com questões básicas de sobrevivência, com fome e sem condições de higiene. Nesse caso, a presença do Estado deverá ser mais intensa, com transferência de renda, por mais tempo, e, de alguma forma, organizar a forma pela qual o dinheiro vai chegar a essa população. Não há outro caminho.

Os infectologistas, ligados a instituições privadas e públicas, ressaltam que se a população afrouxar o isolamento nesse momento a situação será trágica, pois não teremos hospitais para atender à demanda de pacientes, com problemas com respiradores e falta de profissionais de saúde. Esse é o ponto. Segundo eles, abrir a economia agora, com um vírus que se propaga muito rapidamente, seria o caos, com mortos sem conseguir chegar aos hospitais, o que já ocorre em Manaus, Belém, Fortaleza e em algumas áreas do Rio. Para eles, essa abertura deverá demorar mais, infelizmente, é claro, mesmo tendo em vista a perspectiva inevitável de um colapso econômico. Porém, esse prazo maior é mais seguro, pois, nesse momento, caso haja uma abertura, o número de infectados seria significativo devido às aglomerações e o de consumidores seria muito limitado.

Salientamos que as estatísticas que falam de poucas mortes no mundo pela Covid-19 ( e essas estatísticas surgem de vários setores), devem levar em consideração situações específicas de contágio e mortes por esse vírus em cidades como Nova York (com carros frigoríficos na porta de hospitais aguardando por corpos), Milão (onde o prefeito fez uma campanha publicitária pela abertura da economia e depois se arrependeu publicamente), Madrid (que teve que improvisar cemitério devido ao número excessivos de mortes), Guayaquil (com corpos sendo jogados na porta de casa), entre outras.

Temos que aplaudir os corajosos profissionais de saúde do Brasil, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, entre outros, que estão enfrentando o dia a dia em hospitais das redes pública e privada do país, onde a Covid se alastra. Mas esses profissionais merecem um destaque especial, o que faremos mais à frente.

Esse momento também deve servir como um alerta para os nossos governantes. Se ao longo de décadas eles estivessem dando atenção à saúde, equipando com a devida infraestrutura o SUS, sem terem desviado recursos para outra finalidade e para benefício próprio, talvez, agora, teríamos uma rede assistencial devidamente montada, sem risco de um colapso. O caso do Rio de Janeiro deve ser lembrado como exemplo de governantes muito nefastos para a sociedade, que passaram por aquele estado. Salientamos também a responsabilidade da população, que não pode ser omissa e passar a exigir dos governantes o que lhe é de direito.

 

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